É engraçado depositar essa confiança toda em alguns pedaços de papel que, em alguns momentos foram publicados, em outros não.
Os que foram, tiveram a oportunidade de serem contemplados e questionados por um mundo que os vê e entende. Eles me mostram que há dois mundos lá fora: os que pensam igual e diferente de mim.
Esses mundos co-habitam um mesmo espaço e pessoas desses mundos se cruzam o tempo todo, conversam, convivem... se entendem.
Os que não foram publicados, permanecem parte de mim e não me dizem nada sobre o mundo.
Se a história terminasse aqui, eu certamente não me daria ao trabalho de escrevê-los. Mas de alguma forma eles me dão prazer.
O prazer de ter segredos e de não ter que arcar com as consequências.
Eu tenho grafites gastos, tintas de caneta desperdiçadas, folhas rasgadas e cordas do violão estouradas que nunca sairam de dentro do meu quarto.
O motivo é muito simples: todo mundo mostra apenas o que quer para o mundo.
A intimidade de outrém é algo a ser respeitado e, apenas violado quando submetido ao extremo pacto de confiança.
A cada dia que passa, nossa presença no mundo é mais trivial para nós mesmos. Não somos razão suficiente para nossas próprias ações. Não fazemos algo para nos agradar.
Nada passa a valer a pena se o outro não ficar sabendo.
Este vazio que você sente significa que não tem mais controle de sua própria vida.
Convenhamos: você permitiu que os outros tivessem ciência de sua intimidade, agora deixe que eles cuidam dela por você.
3 comentários:
Leio os textos com frequência, mas de uma forma ou de outra nunca permiti que ne afetassem. Podiam até me fazer pensar, mas apenas por alguns minutos. Este, diferente de todos os outros, me afetou de uma forma que chegou a me incomodar. Verdades incomodam...
Este comentário mesmo quase ficou apenas no "plano das ideias", mas quis que ele existisse, que fizesse parte do mundo.
Enfim, sinto-me parte desse texto, talvez o único com o qual tenha me identificado, seja por também ter escritos, pensamentos nunca divididos, ou por muitas vezes sentir o vazio da não-existência, da perda do controle da minha própria vida (o que acaba por gerar ainda mais escritos e pensamentos não divididos). Em todo caso, essa ideia de "universo particular" me agrada. É reconfortante saber que ainda podemos escolher que imagem exibir de nós mesmos, e mais do que isso, que podemos ser algo enquanto estamos no nosso próprio universo, e ser algo totalmente diferente (e possivelmente, mais socialmente aceitável) fora dele. Acaba que, essa história de mostrar tudo, sem mostrar nada, dá um ar misterioso a nós mesmos que pode ser divertido até certo ponto, porém muitas vezes confuso e enlouquecedor.
Penso que me exponho para que saibam que eu existo, para que eu saiba que eu existo e para que eu possa fingir que só por um minuto eu existi.
Engraçado é ler no final do dia o resumo dos meus pensamentos!
"Nada passa a valer a pena se o outro não ficar sabendo." - mais intrigante que engraçado...
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